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Depressão

Estar em depressão é estar refém de uma sensação de fardo, obrigação, tristeza continuada e falta de prazer. Aspetos da vida que costumavam gerar ansiedade, parecem agora ter mudado para uma espécie de desistência combinada com uma ausência de emoção ou, em outros casos, uma sensação de ‘ferida aberta’ situada num lugar do corpo impossível de situar. O mundo tornou-se uma imagem bassa e vivida a preto e branco. As pessoas que nos rodeiam, relação íntima, família, amigos, raramente conseguem chegar até nós e menos ainda provocar emoções positivas. 

A um nível menos consciente, a depressão emerge com frequência como uma punição auto-imposta ou como uma forma de criarmos um casulo protetor face a um mundo sentido como hostil. A depressão nem sempre surge de uma forma abrupta mas tende a instalar-se progressivamente na vida da pessoa. O trabalho com o psicoterapeuta, nestes casos, passa por uma identificação detalhada de hábitos e relações que mantêm este sentimento na vida da pessoa, bem como pela construção gradual de pequenos objetivos que possam gradualmente começar a mover a pessoa do estado de ‘parálise emocional e de ação’ com que chega à terapia. 

 

Ansiedade

Para o cliente a sofrer de ansiedade, com frequência, o mundo começa gradualmente a parecer um lugar cheio de perigos. Por vezes, como algo ‘vindo do nada’, há um sentimento de desconforto enorme que se apodera da pessoa, uma sensação de perigo iminente, um momento de perda de controle expresso em tremores, suor das mãos, palpitações, eventual falta de ar, antecipação de consequências terríveis. Na sequência deste sentimento, o cliente começa a evitar lugares, situações ou pessoas associadas a este sentimento de ameaça. A minha experiência clínica tem-me mostrado que em casos de ansiedade, regra geral, o cliente sente-se preso em alguns papéis rígidos no seio da sua família e amizades, mas não sabe como abandonar esses papéis ou que escolhas terão que ser feitas para que uma mudança aconteça. 

Em muitas pessoas, a ansiedade surge como uma dificuldade em deixar ir do controle imediato, aspetos da vida pessoal sobre as quais este controle é limitado. Em psicoterapia o trabalho com a pessoa em processo de ansiedade passa por uma exploração detalhada das suas circunstâncias pessoais, das sua aprendizagem sobre ideias de ‘controle’, mas também das estratégias que o cliente encontrou para fazer face a estas ameaças. Regra geral, o trabalho progride com o deixar ir de estratégias antigas que possam estar a piorar a situação, o revisitar de ideias sobre ‘controle’ em diversas áreas da vida e o adotar de novos hábitos e comportamentos que permitam fazer face à incerteza com maior tranquilidade.  

 

Psicologia do Homem 

Nos últimos anos, tenho-me deparado com uma maior afluência de clientes do sexo masculino. Vários fatores parecem contribuir para este acréscimo. Existe, com frequência, uma discrepância entre a forma como o cliente foi educado, mediante alguns padrões e crenças rígidas ligadas à masculinidade (e.g. ‘um homem não chora’) versus as exigências emocionais dos tempos modernos, pedindo aos homens que identifiquem e expressem as suas emoções de forma clara. Esta disparidade entre padrões aprendidos e padrões solicitados pode ser vivida de uma forma confusa e contraditória pelo cliente do sexo masculino. O cliente aparece no consultório com a ideia que ‘está a falhar’ como pessoa, perante si e os outros, mas sem uma ideia clara de ‘como’ está a falhar e ‘porquê’. 

O trabalho psicoterapêutico com clientes do sexo masculino, entre vários outros aspetos, consiste em ajudar o cliente a identificar os momentos-chave da sua história pessoal em que determinadas crenças e eventos formaram a sua ideia do que significa ‘ser homem’, abrindo a possibilidade a uma nova definição do que isso significa, novas escolhas e novos comportamentos.   

 

 Terapia de Casal & Família

‘Nós não achávamos que íamos ser aquele tipo de casal, até que nos tornamos nele’. Com frequência os casais aparecem na consulta com um sentimento de estranheza profunda, sem entender como a relação pode ter chegado aquele ponto. A convivência mútua expressa numa vida de deveres rígidos, obrigações múltiplas e hábitos instalados conduzem ao esquecimento do encantamento dos primeiros tempos. A isto se soma a multiplicação de papéis quando existem filhos envolvidos e o peso dos pressupostos que cada membro do casal carrega sobre o outro, muitas vezes funcionando como um espelho deturpado.  

O trabalho com casais e famílias tem um formato diferente das terapias individuais. Trabalho com pacotes de 5 a 7 sessões, regra geral espaçados a cada duas semanas, e uma definição muito clara de objetivos. Atualmente, o trabalho com casais existe tanto para casais que queiram melhorar a relação, como para casais à procura de auxílio num processo de separação. O processo de auxílio à separação segue o mesmo formato de 5-7 sessões.  

O trabalho de famílias é por vezes requerido em situações de crise adolescente aguda, quando se revela mais produtivo evoluir por sessões conjuntas com pai e adolescente. 

 

Adolescência 

A adolescência é uma fase de desenvolvimento rápido em todos os sentidos, desde o crescimento físico, ao psicológico, a um acréscimo de tarefas e exigência sociais.  Idealmente, é nesta fase que se formam com mais nitidez os sonhos e aspirações que irão guiar o adolescente até à idade adulta e contribuir em larga medida para a sua definição de pessoa. Aos desafios habituais da adolescência que caracterizam tempos idos junta-se um mundo atual instável, desde a desigualdade social às questões ambientais, nem sempre fornecendo o cenário ideal para o sonho adolescente e sua projeção no futuro. 

O trabalho com o/a adolescente passa por ajudá-lo/a a ‘individuar-se’, seja, a perceber quem é, o que o/a move como pessoa, quais os seus sonhos e aspirações, e como pode começar a negociar a pessoa que está a ‘começar a ser’ perante os pais e perante as outras pessoas da sua geração. Para o adolescente, a terapia pode funcionar como uma barreira protetora importante conta a pressão de grupo, bem como uma guia face a um mundo cada vez mais confuso e saturado de informação. 

 

Migração

A migração é um processo rico e também pleno de dificuldades. Quando mudamos para um novo destino ou um novo país, levamos connosco uma história de comportamentos adquiridos, emoções, formas de ser e estar que são nossas. Após um período de enamoramento com um novo sítio, podemos começar a ser assombrados por sentimentos negativos, tristeza, ansiedade ou ambas, em relação a nós e aos que nos são próximos. Ao mesmo tempo começamos a ver que comportamentos que acreditávamos ter deixado para trás começam a surgir e a infiltrar-se no nosso dia a dia. Este processo pode levar a um questionamento profundo da identidade pessoal, com necessidade de psicoterapia. 

Por outro lado, a diminuição de rede social que caracteriza a migração tem consequências para todos, indivíduos, casais e famílias. Para um casal migrante, face a uma diminuição significativa da rede social, vários dos stresses que poderiam ser divididos por mais pessoas acabam por concentrar-se na relação a dois, contribuindo para um mal-estar na relação. Em casais migrantes com filhos, os efeitos de redução da rede social, dada a falta de suporte em relação às crianças ou adolescentes, são ainda mais evidentes.  Nestes casos, a psicoterapia pode ser uma forma de pensar como constituir e expandir a rede social no novo destino, enquanto se lidam com as questões pessoais (ou de casal) trazidas do destino anterior.